Predominância Estrogênica: Tudo que você precisa entender
A predominância estrogênica não é necessariamente um valor de estrogênio "alto" em valor absoluto. Na verdade, é um desequilíbrio relativo entre os níveis de estrogênio e progesterona, onde o estrogênio supera o que a progesterona consegue contrabalançar.
Esse desequilíbrio começa a acontecer por volta dos 35 anos e intensifica-se após os 40, pois os níveis de progesterona tendem a cair de forma mais acelerada do que o estradiol em si. Logo, o estradiol vai caindo aos pouquinhos, enquanto que a produção de progesterona ‘’despenca’’ com mais rapidez, gerando esse desequilíbrio.
Imagine inclusive que duas mulheres podem ter o mesmo nível de estradiol no sangue e uma ter sintomas de predominância estrogênica e a outra não, pois o que importa não é o valor isolado, mas sim, a proporção estrogênio:progesterona e o quanto esse estrogênio está sendo bem metabolizado/eliminado pelo organismo da mulher.
O que pode acelerar esse desequilíbrio (além da idade):
- Produção excessiva de estrogênio: Pode acontecer por excesso de tecido adiposo (a gordura corporal converte andrógeno em estrogênio via enzima aromatase, e quanto mais gordura, mais conversão; resistência à insulina que também aumenta atividade da aromatase ou exposição a xenoestrogênios, que são compostos ambientais que mimetizam estrogênio, como BPA de plástico, ftalatos e pesticidas.
- Progesterona insuficiente pra contrabalançar: Acontece tipicamente por ciclos anovulatórios ou fase lútea curta ou inadequada: sem ovulação plena, não tem corpo lúteo formando progesterona suficiente. Muito comum em perimenopausa, onde o estrogênio ainda oscila alto enquanto progesterona já está em queda mais consistente,
- Má depuração e eliminação hepática / intestinal: Acontece se o fígado estiver processando mal (Fase I/Fase II de detox) e intestino reabsorvendo estrogênio que já deveria ter sido eliminado, via a enzima beta-glicuronidase produzida por bactérias intestinais desequilibradas.
Perceba que o fígado processa estrogênio em duas fases:
- Fase I (hidroxilação, via enzimas CYP450) transforma o estrogênio em metabólitos intermediários;
- Fase II (conjugação, metilação, glucuronidação, sulfatação): torna esses metabólitos solúveis em água pra serem eliminados pela bile e intestino. Quando a Fase II não acompanha a Fase I, ou quando bactérias intestinais (via enzima beta-glicuronidase) "desconjugam" o estrogênio já processado, ele volta a circular em vez de ser eliminado e isso é o cerne do que se chama de predominância estrogênica.
Quais suplementos podem ajudar nessa fase?
Abaixo listarei os três principais e explicarei a lógica de uso também:
Magnésio:
Ele é cofator direto da enzima COMT (catecol-O-metiltransferase), que é literalmente a enzima responsável por metilar (inativar) os metabólitos de estrogênio na Fase II. É o elo mais direto e específico com o processo de depuração hormonal em si.
NAC – Aceticisteína:
Precursor de glutationa, essencial pra enzima glutationa S-transferase (GST), que neutraliza as quinonas reativas formadas durante a Fase II, um passo de "limpeza" que evita acúmulo de metabólito tóxico intermediário.
Complexo B:
Folato, B12 e B6 alimentam o ciclo de metilação (via SAMe), que é o "combustível" que a COMT usa pra metilar o estrogênio. Sem esses cofatores, a via de metilação trava, mesmo com magnésio suficiente.
Os nutrientes acima fazem sentido no contexto de predominância estrogência porque magnésio e complexo B alimentam a via de metilação (Fase II) e o NAC dá suporte antioxidante ao mesmo processo.
Antes da menopausa, o corpo da mulher passa por mudanças consistentes e existe uma fase chamada de climatério (ou perimenopausa). Esse período pode durar mais de 10 anos, pois começa muito antes de menopausa em si. Além de suplementar, é muito importante manter hábitos que viabilizem a manutenção da saúde, como a prática regular de exercícios físicos, alimentação equilibrada e higiene do sono.
Talvez você nunca tenha se preocupado com isso antes, mas nunca é tarde pra começar e correr atrás do prejuízo.
Por Daniela Soltz - Fundadora Longeva
